Em um mundo de 140 caracteres, as vezes eu preciso de um pouco mais do que isso pra expressar meus pensamentos... ou não...

Programar é preciso. Viver não é preciso.

Programar é uma arte!

E assim eu começo meu texto que tem tudo para ser polêmico. Eu já me vi de frente com essa frase diversas vezes, e já encontrei as mais diversas respostas sobre o assunto. Tá, falei, falei e não disse nada. Vamos com calma…

Não pretendo aqui discutir o sentido da palavra arte, nem os milhões de argumentos que cercam essa discussão. Já adianto que não espero, neste caso, que o resultado do trabalho do programador-artista seja algo útil (Aplicativos de iPhone para fazer som de pum?!?), mas tentarei na medida do possível deixar clara cada uma das suposições que apóiam o meu ponto de vista.

Sim, programar é uma arte. Uma vez um professor meu falou algo (sobre sistemas operacionais) que eu vou transpor para o mundo da programação: “É quase um milagre um programa funcionar. Ele tem tantos pontos para falhar, e isso acontece na menor parte das vezes.”.

Porém, quando se fala de arte, logo eu já faço uma associação direta com criatividade. Não, não acho que a palavra certa para o caso da programação seja criatividade, apesar de reconhecer que muitos casos exigem uma dose de criatividade. Acho que a palavra pro caso é “inventividade”. Acho que um bom programador é “inventivo” em suas soluções. Reunir uma dúzia de linhas de códigos e dar algum sentido pra elas, dar uma função, é algo diferente de ser criativo (em minha opinião, claro).

Mas então, por que tudo isso? Bem, não sei explicar direito, só queria deixar registrado esse meu pensamento em algum lugar. Ele me serve de base pra muitas das decisões que eu tomo, ou sobre as avaliações que eu faço sobre tudo que eu uso no meu dia-a-dia.

Engraçado que essa questão de ser ou não uma arte me leva indiretamente a outro ponto muito polêmico (que eu tentarei juntar com o assunto anterior): “Utilizar um software de código aberto ou de código fechado?”.

Antes que algum defensor de qualquer modalidade venha para o meu lado com pedras na mão, eu já aviso, não sou defensor de nenhuma das duas modalidades. Por quê?

Eu acho que software bom é software que resolve o problema. Acredito que as “regras do jogo” atualmente (certas ou erradas) favorecem sim o desenvolvimento de software de código fechado, e que isso vai durar muito tempo ainda.

Como eu falei, eu acredito em software que funcione, e não em ideologias. Eu vejo uma linha muito forte de pensamento no software livre que defende a liberdade pela liberdade, mas na prática, isso não tem funcionado para coisas que precisam funcionar.

Vamos lá chutar cachorro morto (peço desculpas, mas é só pra mostrar o meu ponto). O Open Office é um projeto fantástico, excelente, a idéia é muito boa, mas nunca vai pra frente. O projeto está sempre carente de desenvolvedores, e por isso demora em soltar uma nova versão, ou pra aplicar alguma melhoria. Muitas empresas por ai até tentam usar ele, mas elas começam com aquela idéia de “free = grátis”. Logo, elas não geram nenhuma melhoria para a comunidade, e mais, ainda esperam que algo novo e melhor seja feito.

Confuso? Pois é, eu vejo esse modelo sendo replicado desde os consumidores finais (que na maioria dos casos não vão mesmo ter capacidade de melhorar nada), passando pelas empresas e chegando à própria comunidade. Sim, a própria comunidade espera, muitas vezes, que alguém faça algo. Cadê o projeto Fedora depois que a Red Hat saiu? Hoje, o ubuntu é o que é porque a Canonical investe muito dinheiro dela no desenvolvimento. Mas quem financia isso? A comunidade?

Claro, a minha crítica não pode ser estendida a toda comunidade, que muitas vezes faz um trabalho fantástico, mas existe ai um ruído que atrapalha todo o processo. Gente que vem falando “Não use esse programa, é proprietário e bla bla”. Mas poxa vida, ele resolve o problema. Aplicativos como o Office da Microsoft, ou o Photoshop da Adobe não são líderes por acaso. Eles são atualizados e funcionam. As alternativas livres que temos pra esses sistemas não são boas, e não resolvem o problema na prática.

Agora juntando tudo, porque esse texto já vai me dar muita dor de cabeça pelo tanto de coisa polêmica: Programar é uma arte, mas o resultado disso não é uma obra de arte. Achar que só pelo fato de ter feito torna a coisa um objeto superior não dá. E é o que acontece muitas vezes. Isso gera programas ruins, que são defendidos somente por sua ideologia, mas não pela sua real capacidade de resolver um problema.

Nossa, depois de tanta coisa (confusa), melhor eu tomar um chá para me preparar para as pedradas.

1 comment to Programar é preciso. Viver não é preciso.

  • Sou leiga quando o assunto é programação e por isso não vou dar muitos pitacos, rs. Mas gostei do modo que se referiu a tecnologia. Pra mim é coisa de doido! É preciso ser muito “inventivo” mesmo. E, apesar de alguns programas darem dor de cabeça, de deixarem a desejar, esses inventores de softwares salvam nossas vidas. A minha pelo menos, que apanho até com um simples HTML, rs.

    Um beijo e adorei seus posts! :*

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